quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cabeça d’água no Rio Soberbo

Fonte: Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra dos Órgãos

 Foto: Beth Cravo



A existência na região do Parque Nacional da Serra dos Órgãos de inúmeros rios e bacias de drenagem (rio Soberbo, Jacó, Bonfim, Roncador e Bananal) favorece a ocorrência freqüente de um fenômeno denominado “cabeça d’água” (figura). 
A cabeça d’água ocorre quando uma chuva localizada e de grande intensidade cai sobre uma bacia de drenagem e nela existam condições favoráveis ao rápido escoamento superficial, fazendo com que as águas concentrem-se em pouco tempo nos canais fluviais.

Os declives elevados nas paredes dos vales adjacentes aos canais fluviais podem ser considerados como os principais responsáveis por esse rápido escoamento das águas. Outras condições podem intensificar este processo dentro de uma mesma bacia de drenagem. Entre as condições que favorecem o escoamento rápido das águas temos: presença de afloramentos rochosos que funcionam como superfícies impermeáveis; ocorrência de solos pouco permeáveis; relevo acentuado, que define a bacia de drenagem; distribuição dos pontos de confluência com canais principais; o nível de saturação de água do solo em função de chuvas antecedentes e da intensidade da chuva; e presença de obstáculos, naturais ou não, que represem as águas e ao serem rompidos aumentem subitamente o volume de água escoada (Barcia & Marques, dados não publicados).

O fenômeno “cabeça d’água” é observado principalmente na bacia de drenagem do rio Soberbo, entre os meses de outubro a janeiro, com maior freqüência nos meses de janeiro, quando o volume de água é maior. As nascentes do rio Soberbo, localizadas no Campo das Antas, estão na borda superior do Parque, possuindo paredes com altos declives e perfil longitudinal, desenvolvendo-se numa extensão relativamente curta (aproximadamente 5 km), e com grande amplitude do relevo, cerca de 2.000 m, que confere ao seu canal principal em elevado gradiente.

A origem das chuvas na Serra dos Órgãos está relacionada com a subida do ar quente e úmido proveniente das áreas de baixada, que vai se resfriando com o aumento da altitude e acaba por condensar-se nas cabeceiras da serra. Caso não existam circunstâncias atmosféricas dissipadoras, pode formar a cabeça d’água.

Observa-se neste processo que nas partes inferiores ou médias dos vales pode não estar chovendo ou mesmo estar sem nuvens, com temperatura elevada e ar quente e abafado, mas se ouvem perfeitamente trovoadas, prenunciando temporal e se nota a formação denuvens, concentradas nas cabeceiras. Na parte superior ou cabeceira do vale, ocorre então uma concentração de nuvens que propicia grandes precipitações.
O volume de água cresce rapidamente e é engrossado pelo caudal em excesso dos muitos afluentes secundários, direcionados para a calha principal. Esta massa de água concentrada desce rapidamente montanha abaixo, assumindo velocidade crescente no seu percurso, arrastando no seu caminho animais, pessoas, blocos de rocha, árvores, ou qualquer outro obstáculo. Geralmente, os rios atingidos por essa cabeça d’água podem ter seu nível aumentado em até 4 metros, necessitando de aproximadamente 4 horas para voltar ao volume normal, porém nas duas primeiras horas percebe-se uma rápida diminuição.

Deve-se ressaltar que mesmo dentro de uma área protegida como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde as bacias estão preservadas, o fenômeno pode ocorrer. Devido ao fato deste fenômeno poder ocasionar vítimas fatais, o Parque divulga em pontos estratégicos os cuidados que os usuários devem ter para evitar acidentes.

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